segunda-feira, 26 de maio de 2008

Melhor que o Caçador de Pipas...


... na minha singela opinião, o livro "A cidade do sol", de Khaled Husseini, superou o best seller "O caçador de pipas". Talvez pelo fato de as personagens principais serem duas mulheres. E, diga-se de passagem, mulheres muito mais interessantes que aquelas dos livros do Sheldon. Pra quem ainda não leu, recomendo. É um livro com um final menos triste que o Caçador de Pipas, mas que mesmo assim me fez chorar em algumas partes, porém com um final mais ameno, sem tanta desgraça. Recomendo, e muito! Aqui tem duas passagens que achei excelentes:

"Mariam desejou muitas coisas nesses momentos finais. Assim que fechou os olhos, porém, as tristezas se foram e tudo o que sentiu foi uma imensa paz se abater sobre ela. Pensou em sua chegada a este mundo, a filha harami de uma aldeã humilde, algo que não foi desejado, que não passou de um lamentável acidente. Uma erva daninha. E, no entanto, estava deixando este mundo como uma mulher que tinha amado e sido amada. Deixava esta vida como amiga, companheira, protetora. Como mãe. Finalmente, alguém importante. Não. 'Não', pensou Mariam, 'não era tão ruim assim morrer desse jeito'. Não era mesmo. Era um fim legítimo para uma vida que começou de forma ilegítima."


"Uma jovem Mariam está sentada junto à mesa, fazendo uma boneca à luz de uma lamparina a óleo. Está cantarolando. Tem o rosto suave e juvenil, o cabelo foi lavado e está penteado para trás. E não lhe falta nenhum dente.
Laila a vê colar pedaços de lã na cabeça da boneca. Em poucos anos, essa menina vai ser uma mulher que pede muito pouco da vida, que nunca incomoda ninguém, que nunca deixa transparecer que ela também tem tristezas, desapontamentos, sonhos que foram menosprezados. Uma mulher que vai ser como uma rocha no leito de um rio, suportando tudo sem se queixar. Uma mulher cuja generosidade, longe de ser contaminada, foi forjada pelas turbulências que se abateram sobre ela. Laila já consegue ver algo no olhos daquela menina. Algo tão arraigado que nem Rashid nem os talibãs conseguiram destruir. Algo tão rijo e inabalável quanto um bloco de calcário. Algo que, afinal, acabou sendo a sua ruína e a salvação de Laila. A menina ergue os olhos. Deixa boneca de lado. E sorri.
'Laila jo?'"

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